July 17, 2005Metáfora celestialSou do tipo "toda menininha", sempre fui! Sempre usei calcinha de babado e renda, nunca corri descalça e sento somente de perninha fechada. Sou manhosa, tenho mil bosinhas e carrego pelo menos 3 batons comigo. Gosto de usar rosa, de comprar coisinhas miúdas e invariavelmente experimento roupas menores que eu pois acho que não sei bem a dimensão do meu tamanho. Gosto de de colocar fivelas no cabelo, de mudar os óculos de acordo com a cor da roupa, enfim, sou fresca. Nunca levei um tombo pois não brincava de correr ou bater e mal consigo transpirar. Mas tem uma coisa que eu sempre amei na vida: PIPA! As poucas "molecagens" que fiz se rezumiam a soltar pipa em Araruama ou no Aterro do Flamengo, quando as pessoas iam domingo para o aterro do Flamengo soltar pipa, curtir seus filhos e sobrinhos e participar de campeonatos de pipa. A pipa sempre me fascinou e eu não sabia o motivo. Hj, utilizando palavras que adquiri ao longo da vida, paro para pensar na experiência de soltar pipa e concluo que nada é mais paradoxal que a força perpétua e a efemeridade de uma pipa. Feita de bambu fino e papel de sêda, frágil ela desafia poderosa as nuvens e vai subindo até onde a linha permitir. Até onde a linha der ou se romper. Ficava fascinada com o momento em que a pipa estava tão empunhada no alto que a corda parecia se curvar até desaperecer... e na outra ponta que não se podia enxergar lá estava ela, comandada por vc, ou estaria vc, segurando bobo a corda, se achando dono da situação mas na verdade sendo hipnotizado por ela e seu balé suave e colorido. Pipas me lembram liberdade, infância eterna ( eu tenho síndrome de Peter Pan assumida! ) , me lembram pessoas e lugares extremamente impostantes para mim. Pipas vem ao mundo com uma função simples, trazer a felicidade e nos fazer sempre olhar para frente e para cima, sem jamais nos descuidarmos dela e daqueles que querem nos afastar dela. Pipa é vida, pipa é amor, pipa é uma celebração divina. Mas porque tanto romantismo ? Ontem passeava pelo finalzinho da Barra, na orla e ao invés de ver pessoas bebendo, (quem me conhece sabe o quanto eu odeio bebida, pessoas bebendo e toda essa onda de fotos com bebida ...tá eu sou chata, mas tenho meus valores) vi várias e várias pessoas juntas olhando para cima. Riscos rápidos e coloridos no céu cruzavam e descruzavam seus caminhos e percebi que por cerca de 300 metros pessoas, famílias soltavam pipa juntas numa noite de sábado por volta das 21:30! Abri o vidro e com o carro mais lento fui me deliciando com o espetáculo! As pipas pareciam peixinhos se movendo na escuridão, pareciam cometas e estrelas cadetes, pareciam espermatozóides em sua corrida pela vida, pareciam, águas-vivas, várias águas-vivas nadando bem no fundo do mar. Que festa. Segui feliz com um sorriso pensando o quanto as pessoas ainda sabem se divertir na simplicidade, segui feliz por ver que uma das maiores alegrias do homem é sentir a libertade do vento do rosto, segui feliz por saber que escreveri meu primeiro journal falando de quanto é importante ser criança, ser livre e ser feliz.
Posted on 07/17/2005 10:35 AM Comments (2)
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